Voluntariado nos jogos olímpicos

Desde os jogos panamericanos de 2007, que aconteceram no Rio de Janeiro, tenho tentado participar como voluntária de grandes eventos esportivos. Tentei Vancouver 2010, Londres 2012, Copa do Mundo no Brasil em 2014, e nada de ser selecionada. Nesse tempo, fui voluntária em campeonatos paulistas de triatlo e no BB&T Atlanta Open, mas nada tão grande como esperava.

Em 2012, tive uma oportunidade mais que fantástica de trabalhar no BB&T Atlanta Open. Foi em Atlanta (claro!), no Atlantic Center, atuando como transportation desk. Era assistente da parte de transportes para atletas, técnicos e imprensa, ou seja, minha função era estar com o telefone em mãos para anotar as caronas necessárias (idas a hotel, aeroporto, quadra de treino etc.) e solicitar os serviços aos motoristas, que também eram voluntários. Além de atender o celular, também atendia pessoalmente, pois ficava na sala dos atletas! Eu ficava com 13 chaves de carros Cadillac na mão, e ia coordenando com o pessoal. Foi super legal, algo incrível. Nos momentos de folga, eu ia às quadras para ver os jogos, e interagia com os coordenadores, os voluntários e os tenistas.

Foram apenas cinco dias de trabalho, mas algo que adorei. E agora, chegou a vez de atuar nos jogos Rio 2016! Depois de três anos, passando por provas online, dinâmica online, testes de idiomas, entrevista presencial e diversos treinamentos, e ainda algumas trocas, finalmente atuarei como assistente para serviços de atletas no Centro Olímpico de Tênis, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca! Estou super contente e animada!

O trabalho começa amanhã, 25 de julho de 2016. Já retirei a credencial e os uniformes, e acho que está tudo ok! No dia 5 de agosto, haverá a cerimônia de abertura, e tudo começará de verdade a partir de 6 de agosto! A cidade já está no clima olímpico, vou contando um pouco da experiência nos próximos posts.

Akihabara

O bairro de Akihabara é mais que conhecido por qualquer pessoa do mundo que se considere geek, pois é o universo dos eletrônicos, dos animes, dos games, dos cosplays, ou seja, é o que costumamos chamar de mundo nerd!

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É um lugar que está sempre cheio de luzes piscantes, em neon e em todas as cores. Há personagens de todos os desenhos japoneses, há inúmeros prédios de fliperamas e jogos em geral, máquinas de karaoke, e comércio de tudo o que estiver relacionado a esses temas.

Em alguns desses espaços, eles até oferecem algumas fichas gratuitas, pois sabem que o negócio é viciante e o pessoal não para… Inclusive, há histórias de jovens que passam horas quase infinitas nesses lugares (o que, na verdade, é bem triste).

Fiz uma experiência bem interessante: usar uma máquina de pirakura! São aquelas máquinas que já estiveram por um tempo no Brasil, onde fazemos poses ou caretas, e saímos com adesivos de fotos editadas. A tecnologia avançou bastante! Uma amiga foi comigo, escolhemos uma máquina com tema genérico, seguimos o passo-a-passo, fizemos poses, e saímos em fotos cheias de frases, figuras e efeitos, além de estarmos super maquiadas, magras, altas e lindas nos adesivos! Foi engraçado! Um detalhe: essas máquinas de pirakura são apenas para meninas, os meninos não podem nem chegar perto desse setor. Há exceção de algumas máquinas, que estão liberadas para meninos, desde que cada um seja acompanhado por uma menina. Além disso, pagando um pouco mais, é possível pegar várias fantasias – tipo cosplay – emprestadas! Eu preferi ficar com as minhas roupas, claro.

Sakura

Em japonês, sakura significa flor de cerejeira, sendo um dos maiores símbolos do Japão. No fim do mês de março, começam a florescer por todo o país (nenhuma das 47 províncias fica sem), e há até calendário para as floradas de cada parte.

Isso é algo incrível pois praticamente todo japonês espera um ano inteiro para ver as flores das cerejeiras! É um grande evento e o comércio está muito envolvido nisso. Nas semanas que antecedem essas flores tão clarinhas em tons de rosa, os restaurantes, as lojas, as estações de trem e as ruas estão enfeitadas e tematizadas dessa flora. É algo interessante!

Então, as comidas têm edições limitadas de muita coisa com sabor de sakura, como os biscoitos, os doces, os objetos etc. E o pessoal sai no fim de semana em direção aos parques para apreciar as flores e fazer piquenique debaixo das lindas cerejeiras. Tal passeio se chama hanami (a tradução seria “ver as flores”) e muitos japoneses fazem, inclusive alguns viajam para outras regiões e acompanham as flores de outros lugares, principalmente em Kyoto. Mesmo à noite, com uma iluminação especial, as flores ficam fantásticas.

Além disso, há muitos tipos de sakura! Só eu vi pelo menos uns cinco, mas entendi que há dezenas. Tive a feliz oportunidade de ver as flores das cerejeiras no extremo sul do Japão, no começo de março, por ser a região inicial do fenômeno. São lindas!

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As floradas acontecem na primavera, do sul para o norte, pois dependem do clima, ou seja, da temperatura (o sul é mais quente, e o norte é bem mais frio). Ao final de abril, as flores já se foram!

Shinjuku e Shibuya

Shinjuku e Shibuya são dois bairros grandes e famosos de Tokyo. Ambos são relativamente próximos e bem movimentados, assim como suas estações de trem e metrô.

Em Shinjuku, é possível encontrar muitas lojas de diversos tipos e departamentos de eletrônicos! Achei tudo incrível, pois há diversos equipamentos diferentes, opções infinitas de câmeras, entre outras coisas do gênero. Fiquei com vontade de comprar vários produtos, mas é inviável financeiramente e por motivos relacionados à capacidade da mala e alfândega! Em minha opinião, os preços estavam ótimos, e há variedade nas derivações das máquinas.

Inclusive, é o bairro onde se localiza a sede do governo do Japão, e eu destacaria que a estação de Shinjuku é a mais movimentada do país. Eu também afirmaria que é a mais fácil para se perder, pois é enorme e toda subterrânea.

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Por sua vez, Shibuya é um bairro ainda mais comercial e com público específico (jovens meio alternativos, mas não consigo classificá-los). É incrivelmente conhecido por ter a estátua do Hachiko, o cachorro do filme Sempre ao seu lado, com o Richard Gere. É tão movimentado quanto Shinjuku e muito dinâmico, principalmente à noite! Também, é onde fica aquele famoso cruzamento de avenidas, formando um X e uma cruz ao mesmo tempo, e as pessoas atravessam coordenadamente pelas faixas de pedestre. Voltei mais de uma vez para cada um dos bairros, pois as visitas valem a pena!

Livrarias no Japão

As livrarias no Japão são numerosas e, quando não são de estação, são enormes! Além das livrarias normais, há também muitas que são de compra e venda de livros usados.

Há alguns anos, ouvi dizer que ao estar em um metrô ou trem, todos estariam lendo um livro, desde os jovens aos mais velhos. Isso mostra que a leitura faz parte da cultura nacional. Porém, atualmente, com os smartphones, muita gente está teclando (uma curiosidade: é proibido falar ao celular dentro de metrôs e trens, e o pessoal fica bem quieto ou conversa baixinho).

Fui em algumas livrarias, pois acompanhava meu pai, que lê muito e consegue passar horas em poucas prateleiras. Os assuntos abordados são dos mais diversos, é possível encontrar de tudo e sobre tudo, mas apenas em japonês! Em inglês, há algumas seções, e achei todas as obras bem baratas.

Olhei mais na parte de manga (por curiosidade, e fiquei impressionada com a quantidade infinita a opções), de artes, de administração, por ser minha área profissional, e de esportes, meu tema de preferência.

Como ultimamente ando lendo biografias de atletas, fiquei olhando mais nessa estante, e achei interessante ver três biografias do Neymar escritas em japonês e exclusivas do Japão (em uma das livrarias, e era de tamanho médio)! Nem no Brasil existe algo próximo disso. Os japoneses são fãs do jogador brasileiro, mas preferem beisebol, e havia dezenas de livros sobre o jogador Tanaka, que está no New York Yankees. Foi muito legal a experiência, mas não comprei nenhum porque não conseguiria ler com razoável compreensão.

Higashi-Hiroshima

Depois de conhecer as origens da parte do meu pai, foi a vez de visitar os locais das famílias da minha mãe, que estão na província de Hiroshima. Ainda tenho parentes com contatos, principalmente com um tio e suas filhas. Toda a origem é de Higashi-Hiroshima, que significa Hiroshima do leste.

DSC_0015Como esses locais ficam mais para o interior, sem acesso por trem, minha prima fez todo o roteiro de carro. Conheci Yoshikawa, bairro onde minha mãe nasceu, estudou e viveu, assim como meus tios e uma tia dela, que é minha madrinha de crisma. É um lugar bem bonito, ao pé de uma montanha cheia de árvores.

DSC_0007Também fui à casa onde minha avó materna nasceu e viveu até casar, com sua família, que fica ao pé de outra montanha, não muito distante da casa da família da minha mãe. Era uma casa grande, que foi reformada há alguns anos, mas agora não vive ninguém lá.

E visitei o cemitério onde estão enterrados os pais adotivos do meu avô paterno, um tio que morreu quando ainda era criança (e não foi ao Brasil), e minha tia que faleceu mais recentemente, mãe da prima que passeou comigo.

DSC_0021Os cemitérios no Japão são bem pequenos, quase exclusivos a poucas famílias, mas que estão sempre próximos às suas origens. Os túmulos estão sempre bem mantidos e achei bem interessante. Porém, todos os meus avós foram enterrados e cremados no Brasil, e acabaram ficando longe de seus familiares originais.

Adorei ter conhecido a região, apesar da chuva que caía, pois é de muitas montanhas e lindas árvores por todas as partes, com vegetação e rios bem cuidados.

Hakata e ida a Hamasaki

A maior cidade da ilha de Kyushu (a segunda naior ilha do Japão, ao sul da principal) se chama Fukuoka, mas sua estação de trem denomina-se Hakata. Aliás, é a única estação do país que não tem o mesmo nome que o da cidade, pois antes Hakata era maior que Fukuoka, porém hoje é um bairro.

DSC_0898Achei Hakata super bonita, moderna e dinâmica, com pessoas bem vestidas. Contudo, ali era apenas a conexão para ir a Hamasaki, na província de Saga (vizinha da província de Fukuoka), e assim conhecer a terra natal do meu pai.

DSC_0727Fiz baldeação com outra linha de trem, até Meinohama, e então outra troca de trem, até Hamasaki. A viagem de Hakata a Hamasaki dura cerca de uma hora e meia. Há alguns anos, Hamasaki era uma cidade, mas atualmente é um bairro de Karatsu.

Meu pai nasceu nesse local, tão calmo (antes, mais agitado) e tranquilo, bem acolhedor. A cidade tem uma longa praia e uma floresta que foi criada há mais de 500 anos para permitir as plantações por lá (porque o vento com sal estraga as plantas).

DSC_0743Minha avó materna também nasceu nesse mesmo bairro, e daí conheci a casa onde ela viveu com meus bisavós antes de ela se casar. Por sua vez, meu avô paterno nasceu a uns 20km dali.

DSC_0808Conheci a escola onde meus tios estudaram, assim como a escolinha que meu pai frequentou até os cinco anos de idade. Depois disso, eles se mudaram para outra cidade, ainda na província de Saga. Meus avós tinham parentes em Hakata, costumavam frequentar a região. Na volta, estava outra vez em Hakata, e fui a Hiroshima.

Kumamoto e seu castelo

Assim como meu pai, meu avô paterno nasceu na província de Saga, na ilha de Kyushu, mas seus pais e toda a ascendência são da província de Kumamoto, na mesma ilha (mais ao sul).

Por esse motivo e pelo castelo que está na cidade, fui a Kumamoto, uma cidade que tem um mascote chamado Kumamon! Um monte de produtos possui essa marca e se relaciona com o ursinho. Aliás, no Japão, cada cidade ou região apresenta diversos temas, produtos, marcas, comidas, lendas e personagens do próprio local, o que considero bem interessante.

DSC_0914Os produtos locais são bem legais e os preços mais acessíveis que em Tokyo (quanto mais longe dos grandes centros, menos caras são as coisas). As pessoas são bem simpáticas também.

Então, entrei na prefeitura para ter uma bela vista da cidade (que tem cerca de 700.000 habitantes) a partir do último andar. Almocei com a vista para o castelo, que é realmente grande.

DSC_0934Depois, fui ao castelo, que foi todo reformado nos últimos anos, mantendo todas as características originais. Ele foi construído para ser um grande quartel do Exército, há centenas de anos. Com formato de fortaleza, nunca foi atacado. Mas também, dificilmente seria invadido, por ser tão bem protegido por enormes muros de pedras encaixadas.

DSC_0955O que chama a atenção do castelo não é apenas a sua arquitetura, mas o fato de que é todo de madeira, por dentro e por fora, com toras nos tetos, e que nenhum prego foi usado na sua construção. São puros encaixes, assim como as pedras dos muros. Nem os terremotos abalaram suas estruturas!

Ao lado desse castelo principal fica um prédio ainda maior, que servia de moradia para aqueles que serviam o Exército. Meu avô trabalhou dois anos no local, por causa do serviço militar.

DSC_0968O local estava cheio de estrangeiros visitando, principalmente da Ásia. Muitos estudantes também estavam em grupos por lá, o que é bem legal. Foi ótimo ver um castelo assim!

Miyajima

Fazendo limite com a cidade de Hiroshima está uma ilha habitada desde o ano 589 chamada Miyajima. É super frequentada por turistas e ligada ao continente por uma balsa, tanto para pedestres quanto para carros. A ilha é dita sagrada, onde encontram-se muitos templos e motivos religiosos.

DSC_0497O lugar é lindo! O dia também ajudou, pois estava ensolarado e não choveu, diferente dos outros dias que tive no Japão. Há turistas de todas as partes, excursões escolares e veados nativos por todos os lados! Os veados são dóceis, mas também procuram comida nas nossas sacolas e bolsos! Esses animais são tratados de forma meio mitológica, é interessante.

DSC_0507Nessa ilha, há um portal bem famoso onde todos tiram fotos. Também é comum ver celebrações de casamento no local. E o prédio mais visitado é todo vermelho, grande e muito bonito, e a água do mar passa por baixo.

DSC_0531Em cima dos morros, há lindos e antigos templos budistas, e aproveitei para visitar um, construído cinco séculos atrás. Além de obras variadas pelo local, inúmeras pás de arroz estão por todas as partes. Ao perguntar sobre o significado desses instrumentos, explicaram que o arroz é o principal alimento da nação, então a pá de arroz simboliza felicidade!

DSC_0592A ilha também tem um aquário para visitação, muitos restaurantes e docerias, assim como lojas sem fim. Recomendo a visita!

Hiroshima

A primeira bomba atômica utilizada na história da humanidade explodiu a 600 metros de altura do centro de Hiroshima em 6 de agosto de 1945, matando cerca de 80.000 pessoas praticamente no mesmo momento, e 200.000 no total, quando contabilizadas as mortes que ocorreram horas, dias ou meses depois, por consequência da bomba. A cidade tinha, na época, 300.000 habitantes, mais da metade das construções foram quebradas e incendiadas, e todos os prédios foram danificados. Até hoje, ainda há vítimas da radiação, pois algumas pessoas tiveram sua genética modificada pelo urânio e os descendentes carregam tais alterações, que provocam problemas de saúde diversos. E é justamente por esse evento da segunda guerra mundial que a cidade é amplamente conhecida.

DSC_0415No entanto, minha visita a Hiroshima não teve apenas esse intuito: fui visitar meus parentes, pois minha mãe nasceu na província de Hiroshima e a família permanece na região. No dia em que cheguei, já marquei de conhecer uma prima de primeiro grau, que é minha conterrânea, mas nunca tinha encontrado por ela ter se mudado ao Japão antes de eu nascer. Foi bem legal conhecê-la, junto com seu marido, e também ver meu tio mais uma vez (ele esteve no Brasil recentemente).

A cidade é limpa e bonita, mas não é grande quanto às maiores metrópoles do país. É bem agradável caminhar pela cidade, e as pessoas são muito atenciosas.

DSC_0365Fui visitar o local onde a bomba atômica explodiu (era a associação de comércio na época), pois foi mantido do jeito que ficou com as consequências da bomba. Há muito tempo, não há mais risco nenhum de radiação, apesar de os americanos terem declarado que nada mais nasceria em Hiroshima nos 75 anos seguintes.

DSC_0398Logo depois, fui ao memorial da paz, que se localiza ao lado, e também ao museu, que mostra inúmeros objetos e fotos relacionados à explosão. É algo impressionante, e o lugar sempre recebe muitos turistas nacionais e internacionais. Ao final, há um livro de impressões, e deixei escrito: “muitas lições a serem aprendidas”.DSC_0381